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brexit     Laurent Dubrule/EPA

O Reino Unido concluiu o processo de negociações com a União Europeia, tendo em vista a sua posição no seio da comunidade europeia nos próximos anos. O anúncio do Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, revela alguma abertura, embora ainda seja necessário alcançar um acordo com os restantes países no Conselho Europeu que se realiza nos dias 18 de 19 de Fevereiro. David Cameron tem de convencer os restantes parceiros europeus, sendo que, a Polónia mostrou disponibilidade para apoiar os britânicos. O professor da London School of Economics, Tim Oliver, explicou ao “The Democrat”, que a proposta tem dois aspectos importantes. O primeiro está relacionado com o corte de alguns benefícios que podem influenciar a vinda de “menos imigrantes para o Reino Unido”. O segundo diz respeito à possibilidade de existir “uma aproximação no longo prazo por parte de Londres a Bruxelas”.

O docente britânico tem algumas reservas sobre o processo que está perto da conclusão. Tim Oliver considera que “a atitude do Reino Unido” vai ser fundamental para determinar o resultado do esforço do primeiro-ministro porque “Londres não consegue liderar a Europa em termos políticos e económicos, mas também devido à localização geográfica”, como acontece com a Alemanha. No entanto, o “Reino Unido pode desempenhar um papel importante, através da União Europeia ou de outros meios”. O académico também critica a forma como Cameron “desvaloriza constantemente as dificuldades de selar um acordo definitivo”.

O próximo objectivo de David Cameron é vencer o referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia. A consulta popular ainda não tem data marcada, mas deverá ser realizada em Junho ou Setembro, sendo que, o Partido Nacional Escocês não quer ir a votos no Verão. O primeiro-ministro disse que não se demitia caso perca o escrutínio. Tim Oliver acredita na palavra do chefe de governo, mas será difícil que “os restantes líderes europeus, como Angela Merkel, tenham confiança em Cameron para negociar uma saída”. No caso da população ficar ao lado do líder britânico haverá mudança de governo antes das eleições em 2020. David Cameron prometeu que não se recandidata a um terceiro mandato. Uma sondagem divulgada pelo “The Guardian” mostra que 45% dos britânicos pretendem a saída do Reino Unido da União Europeia.

O mandato de David Cameron tem sido marcado por várias mudanças, pelo que, uma vitória no referendo não será o principal feito do primeiro-ministro dos últimos seis anos. Tim Oliver entende que “o triunfo nas eleições de 2015 e a pacificação da primeira coligação governamental na legislatura 2010-2015”, desde os anos 1930, são os dois momentos mais importantes de David Cameron como primeiro-ministro.

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