As primárias na Califórnia, Nova Jérsia, Novo México, Montana e nos dois hemisférios do Dakota são uma mera formalidade porque os norte-americanos já escolheram os dois concorrentes às eleições gerais que se realizam em Novembro. Hillary Clinton alcançou o número mágico depois de ter ganho as primárias em Porto Rico, pelo que, Bernie Sanders não tem mais hipóteses de vencer, embora mantenha a vontade de ir à Convenção em Filadélfia no mês de Julho.

A corrida eleitoral começou em Fevereiro, mas termina agora. A partir de agora a atenção está nas eleições gerais. Neste momento, importa fazer um balanço sobre o que se passou nos últimos quatro meses.

O discurso de Donald Trump é apontado por Nuno Gouveia e Alexandre Burmester como o principal aspecto negativo da campanha. O primeiro entende que o empresário “representou uma viragem populista e sem coerência ideológica perigosa para os Estados Unidos“, tendo destacado o facto de Hillary Clinton “só ter derrotado Bernie Sanders no fim das primárias“. Por estas razões, o especialista não tem dúvidas em qualificar os dois nomeados como os “mais impopulares da história recente” dos Estados Unidos.

No plano positivo os dois autores do blogue “Era uma vez na América” gostaram da campanha de Bernie Sanders. Alexandre Burmester considera que “Sanders conseguiu quebrar um aparente consenso em torno de Hillary Clinton sem recurso a tácticas dúbias“.

No início da corrida apresentaram-se 13 candidatos republicanos e três democratas, mas no final de Abril só ficaram Ttump, Ted Cruz, John Kasich, Hillary Clinton e Bernie Sanders. Em poucos meses os republicanos deixaram o empresário norte-americano sozinho na corrida. Alexandre Burmester e Nuno Gouveia apontam Jeb Bush e Marco Rubio como as maiores desilusões.

Durante as primárias a possível interferência de Obama na desistência de Joe Biden à presidência dos Estados Unidos e o número reduzido de candidatos democratas foram alvo de análises em todo o mundo. Alexandre Burmester aponta a “escassez de talento no partido” por ter havido poucos concorrentes contra Clinton e Sanders,  mas acredita que “o presidente tem alguma responsabilidade“. Nuno Gouveia prefere falar em “crise de novas estrelas“.

O fenómeno Trump colocou em causa a influência do establishment republicano nas eleições. Os críticos não perdoaram às elites que um candidato fora do sistema tirasse protagonismo aos concorrentes lançados pela estrutura. Nuno Gouveia entende que “após o Iowa e New Hampshire o Partido Republicano devia ter ficado unido em torno de um candidato que podia ser Jeb Bush ou Marco Rubio“. No entanto, Alexandre Burmester compreende que as “aparências tinham de ser mantidas para não passar a ideia que se estava a beneficiar um candidato em detrimento de outro“.

O ambiente político nos republicanos e democratas confirma a importância do establishment em cada partido, embora o resultado das primárias tenha implicações diferentes nas estruturas. Neste aspecto, Alexandre Burmester e Nuno Gouveia concordam que o establishment republicano perdeu força devido aos triunfos de Trump, mas a vitória de Clinton tem a marca do aparelho democrata.

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