O referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia realiza-se na quinta-feira. Os apoiantes de cada opção tentam convencer o eleitorado britânico. No entanto, os principais líderes europeus também decidiram apelar ao voto no Remain, tendo feito uma análise sobre o que seria o Reino Unido se estiver fora da União Europeia. O professor da London School of Economics, Tim Oliver, entende que “as opiniões dos dirigentes europeus ajudam os apoiantes da continuidade na União Europeia“.

O resultado do escrutínio popular não será suficiente para tornar a União Europeia mais coesa. O especialista em assuntos europeus, Paulo Almeida Sande alerta para a necessidade de “haver uma reflexão profunda“, embora considere que a vitória do Brexit traz alguns perigos, como o aparecimento de “movimentos secessionistas, além de provocar um efeito de contágio“no espaço europeu.

No Reino Unido os problemas com a Europa também não vão ficar resolvidos após o referendo. Tim Oliver aponta a política externa, a defesa e a segurança como as áreas em que será fundamental “reconstruir confiança” entre os dois blocos. O docente acredita que “a segurança na Europa e o envolvimento do Reino Unido” nas questões europeias são dois aspectos importantes no futuro das relações.

Os dois especialistas não estão de acordo sobre quem fica a perder se o Brexit vencer. O docente britânico considera que é o Reino Unido, enquanto Paulo Almeida Sande acredita que perdem os dois. O especialista português aponta três factores que serão prejudiciais à Europa. Em primeiro lugar, porque o Reino Unido “é um dos membros mais importantes da União Europeia“. Em segundo, estamos perante um “mercado importante“. Por fim, existe um “mercado de trabalho em progressão” no Reino Unido.

A vitória do Brexit origina uma situação nova no plano europeu porque nenhum Estado-Membro saiu da União Europeia desde a fundação. No plano interno, o governo britânico também não tem a certeza das consequências. Tim Oliver diz que “o executivo não elaborou qualquer plano de contingência“, embora as empresas e a população estejam mentalizadas. A nível europeu também existem dúvidas porque se trata de um fenómeno novo. Paulo Almeida Sande prevê que “em termos políticos a União Europeia não está preparada, mas no plano económico será possível organizar a saída“.

Advertisements