A campanha para o referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia revelou algumas divisões no Partido Trabalhista e nos conservadores. O governo liderado por David Cameron ficou dividido entre os dois lados da questão e os trabalhistas não acompanharam na totalidade a posição de Jeremy Corbyn a favor do Remain. O professor da Universidade do Exeter, Richard Toye, entende que “a divisão nos trabalhistas será menor caso o Remain vença o referendo“. O mesmo não acontece nos conservadores, que se encontram divididos nas questões europeias desde 1980. O docente da Universidade de Londres, Simon Griffiths, revela que “David Cameron tentou esconder as diferenças no partido durante muitos anos“.

A gestão dos conflitos internos após o referendo são os maiores desafios de David Cameron e Jeremy Corbyn. O líder dos conservadores tem de lidar com os membros que estiveram com Boris Jonhson na campanha, enquanto Jeremy Corbyn vai continuar a ser contestado por causa dos últimos resultados políticos. Os dois líderes têm de enfrentar a pressão para se demitirem antes das eleições gerais em 2020. Simon Griffiths considera que “David Cameron necessita de prometer que vai abandonar a liderança do partido antes de 2020” para satisfazer as pretensões dos deputados eurocépticos. A divisão nos conservadores não será aproveitada pelos trabalhistas. Richard Toye garante que “os conflitos internos” não permitem recolher dividendos políticos. Na opinião do docente, “o crescimento da direita na campanha” só será derrotado nas próximas eleições “mediante uma estratégia eleitoral que seja apelativa para os eleitores“. No entanto, apesar dos deputados trabalhistas também desconfiaram da actual liderança, o aparelho partidário não vai deixar cair Corbyn nos próximos tempos.

O resultado do referendo não irá acabar com o eurocepticismo no Reino Unido, pelo que, não se pode excluir a criação de um novo partido contra as políticas de Bruxelas, mas o partido que ganhou com a campanha para o referendo é o UKIP. Simon Griffiths diz que “o partido de Nigel Farage é o principal veículo” da mensagem contra a União Europeia. O docente da Universidade do Exeter também acredita no crescimento do UKIP, embora sem o reforço de membros dos conservadores eurocépticos, porque preferem “continuar a luta contra a máquina do partido“.

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