No próximo dia 4 de Dezembro, os austríacos escolhem o novo presidente numa eleição que teve de ser repetida por causa da anulação do Tribunal Constitucional das últimas eleições devido a irregularidades.

O acto eleitoral foi marcado para dia 2 de Outubro, mas alguns problemas administrativos adiaram novamente a votação para final do ano.

Nas primeiras eleições realizadas, a vitória sorriu a Alexander Van der Bellen. No entanto, tudo pode mudar em Dezembro.

O professor da Universidade de Salzburg, Heinisch Reinhard revela ao “The Democrat” que “o adiamento vai ajudar o candidato Norbert Hofer porque Alexander Van der Bellen tem de mobilizar uma coligação“. O docente acrescenta que o Brexit e o terrorismo mudaram o ambiente político dos últimos meses em benefício do Partido da Liberdade.

Os dois candidatos representam opções políticas consideradas extremistas em alguns pontos da Europa. O Partido da Liberdade está ligado à extrema-direita, enquanto os Verdes defendem soluções radicais de esquerda. O professor da Universidade de Salzburg entende que “os candidatos representam partidos fora do sistema“, sendo que, o Partido da Liberdade “não questiona a democracia no país nem pretende alterar o regime“. Por estas razões, Norbert Hofer não é tido pelos austríacos como alguém ligado ao extremismo, mas como uma pessoa “simpática, gentil e com boas maneiras”.

O país também está dividido politicamente, já que, as populações das pequenas cidades preferem Norbert Hofer. Por seu lado, os grandes centros urbanos devem votar em Alexander Van der Bellen. O Partido da Liberdade tem vantagem nos eleitores masculinos e na classe média baixa que tem dificuldade de acesso à educação. A grande prioridade do próximo presidente será “unir o país numa altura de crise política“.

O resultado do referendo britânico em Junho fez soar o alarme devido ao aumento de forças eurocépticas em vários países. As eleições na Áustria estão a ser seguidas pela União Europeia com muita atenção, bem como nos outros países que ainda acreditam no projecto europeu. Heinisch Reinhard entende que “neste momento as pessoas comuns não estão preocupadas, mas no futuro as reacções internacionais poderão ter impacto“.

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