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As consequências do resultado do referendo britânico sobre a manutenção na União Europeia estiveram a ser debatidas numa conferência organizada pelo Núcleo de Estudos de Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa. A discussão contou com as intervenções da Embaixadora britânica em Lisboa, Kirsty Hayes, da docente Catherine Moury e do Representante especial para a cidade de Londres, Jeremy Browne.

Os dois representantes britânicos consideraram que o Brexit foi o acontecimento político mais importante dos últimos anos no Reino Unido, sendo que, Jeremy Browne realça que o resultado “representou um grande choque para o nosso sistema“. O Representante especial para a cidade de Londres explicou que as questões relacionadas com a globalização também tiveram influência na vitória do Brexit, apesar das “pessoas estarem desligadas do projecto europeu“. A embaixadora britânica acrescentou que “durante muito tempo os britânicos não se sentiram confortáveis em fazer parte da União Europeia“.

Os problemas que a União Europeia vai enfrentar nos próximos tempos foram analisadas pela professora da Universidade Nova de Lisboa, Catherine Moury. A docente entende que existem dois tipos de consequências, apresentando um ponto de vista optimista e outro pessimista. Numa perspectiva positiva, o Brexit “vai servir para acordar os dirigentes europeus“. No plano negativo, existe o risco de “desintegração“. Apesar das verdadeiras implicações do referendo britânico serem desconhecidas, Catherine Moury finalizou com a ideia que “algumas pessoas entendem que a União Europeia não é democrática“.

Nos últimos dias saíram várias notícias sobre as datas do início das negociações, bem como da previsível saída da União Europeia. Kirsty Hayes revelou que no Verão de 2019 o Reino Unido deve estar fora do clube europeu. No entanto, ainda existem matérias para serem negociadas. A Embaixadora confirmou que o Reino Unido “continua a ser um amigo próximo da União Europeia e a estabelecer relações com os países europeus“, em particular nas áreas do mercado digital e na regulação. A questão que se coloca no país é saber qual a forma de saída do projecto europeu. Jeremy Browne avançou com as duas possibilidades que estão a ser discutidas. Na primeira hipótese, “o Reino Unido permanece no mercado único“, enquanto na segunda “é um divórcio“, tendo assegurado que “o mercado único é importante para o Reino Unido, mas também para Londres“.

Antes do referendo circularam notícias na comunicação social britânica sobre a possibilidade de Londres efectuar um referendo para sair do Reino Unido. No dia do escrutínio popular, a capital britânica foi a única região de Inglaterra onde a permanência conquistou mais votos. Jeremy Browne justificou o resultado pelo facto de “Londres ser o centro financeiro da Europa“. Contudo, não acredita numa saída táctica da capital para se juntar à União Europeia.

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