O UKIP elegeu Paul Nuttal como o terceiro líder após a realização de dois actos eleitorais em menos de um ano. A corrida à liderança do partido começou após Nigel Farage ter anunciado que se iria demitir, algum tempo depois do referendo britânico sobre a manutenção na União Europeia. O sucessor tinha sido encontrado em Setembro com a vitória de Diane James, mas a eurodeputada demitiu-se ao fim de 18 dias no cargo, abrindo novo processo eleitoral.

O novo líder elegeu o Brexit e as questões que preocupam as classes trabalhadoras como as principais prioridades, sendo que, no segundo aspecto, Paul Nuttal mostrou ambição ao pretender que o UKIP seja a voz principal dos trabalhadores em vez do Partido Trabalhista. O professor da Universidade do Exeter, Richard Toye, acredita que se trata de uma vontade pouco realista, mas entende que “o UKIP pode causar danos em algumas áreas importantes para os trabalhistas, em particular se utilizaram um discurso populista e patriótico junto daquele eleitorado”. 

Apesar das questões sociais, o grande assunto no Reino Unido nos próximos anos vai ser o Brexit. No dia do referendo, Nigel Farage afirmou que o 23 de Junho devia ser declarado como o dia da independência. Os dois sucessores também apontam baterias para a saída total e definitiva do Reino Unido na União Europeia. O docente britânico considera que “a insistência no tema será uma boa estratégia porque qualquer cedência por parte do executivo vai ser entendido como uma traição ao resultado do referendo”.

A forma como o Reino Unido sairá da União Europeia em 2019 também pode condicionar a opção do partido para as eleições gerais em 2020. No plano individual, Paul Nuttal terá de conviver com a popularidade de Nigel Farage dentro de fora do partido.

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