Os resultados nos recentes actos eleitorais na Áustria e em Itália revelam sinais contraditórios no espaço europeu, depois da votação do referendo britânico em Junho ter sido considerado como um dos momentos mais problemáticos da história da União Europeia.

Nas campanhas eleitorais para as presidenciais austríacas e no referendo italiano a questão europeia esteve sempre em cima da mesa devido ao confronto entre partidos eurocépticos e forças que representam os valores europeus. O especialista em assuntos europeus, Paulo Almeida Sande, explica que “existe uma fractura relacionada com outra de tendências nacionalistas e proteccionistas”, tendo acrescentado que se trata de “um processo de globalização a nível regional, mas também atinge outros locais no mundo”. Apesar do surgimento de novas forças políticas com vontade de alterar a actual ordem europeia, o docente garante que “não estamos perante um protesto contra a União Europeia ou os governos europeus”.

A resposta das entidades europeias ainda não está definida porque os primeiros sobressaltos só começaram a surgir com a vitória do Brexit. No próximo ano as eleições em França, Alemanha, Holanda e Itália serão um duro teste à capacidade da Europa manter a união política, social e económica. Paulo Almeida Sande entende que a “União Europeia precisa de estar em sintonia com todos os governos internos, através do diálogo e da comunicação”. Os resultados têm carácter decisivo para definir “o modelo de governação e de integração europeia” na Europa durante vários anos, sendo que, só “no final de 2017 será possível fazer uma avaliação” das escolhas efectuadas por uma grande maioria dos cidadãos europeus.

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