O governo britânico tornou público um documento que revela as principais orientações nas negociações com a União Europeia. Nesta semana, a legislação que permite invocar o artigo 50 do Tratado de Lisboa foi aprovada na Câmara dos Comuns. No entanto, o parlamento escocês votou uma resolução contra as medidas adoptadas em Westminster.

Os partidos políticos britânicos assumiram diversas posições antes, durante e após o referendo do ano passado. As mudanças de lideranças nos conservadores e no UKIP foram as primeiras consequências do resultado em Junho, sendo que, os trabalhistas também realizaram eleições internas, embora Jeremy Corbyn se tenha mantido à frente do partido.

As decisões tomadas no âmbito do início das negociações entre o Reino Unido e a União Europeia também terão implicações na política interna nos próximos anos porque todas as forças partidárias pretendem manter o tema no topo da agenda.

O resultado alcançado pelo executivo pode manter os conservadores no governo após 2020 e acalmar os membros mais eurocépticos do partido. O professor da Universidade do Exeter, Richard Toye, considera que “o sossego pode não ser permanente, mas por enquanto está tudo a correr bem“. O docente não acredita que o acordo entre nas contas das próximas eleições porque “os efeitos do Brexit só se devem sentir após 2020”. 

Uma vitória governamental será sempre prejudicial para a oposição, em particular para o líder contestado dos trabalhistas. Jeremy Corbyn está numa situação em que não pode contrariar a vontade da população nem apoiar as medidas dos conservadores. A receita dada por Richard Toye para Corbyn lidar com a situação sem irritar a bancada trabalhista passa por “falar sobre outros temas”.

Os pequenos partidos também devem aproveitar o momento político para conquistar o eleitorado. O UKIP continua vivo, apesar do governo adoptar praticamente as reivindicações que mantiveram Nigel Farage muito tempo na liderança do partido. Os britânicos que votaram pela manutenção do Reino Unido na União Europeia vão contar com o Partido Nacional Escocês e os Liberais-Democratas. Os escoceses vão colocar o segundo referendo sobre a independência na agenda. Por seu lado, os liberais já estão no terreno, embora seja “necessário duplicar o número de lugares no parlamento para fazerem a diferença”.

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