As eleições legislativas na Holanda são o primeiro acto eleitoral que testam a influência do Brexit e a eleição de Donald Trump no futuro da política europeia. O resultado também pode servir para determinar o rumo das legislativas francesas, italianas e alemãs.

Os holandeses são chamados às urnas num clima de desconfiança relativamente às instituições europeias e à globalização e numa altura em que todas as ameaças colocam em causa a unidade europeia.

A coligação formada pelo PVdA e o VVD tem os dias contados, devido à subida nas sondagens do PPV de Geert Wilders. Nenhum dos partidos que mantiveram Mark Rutte como primeiro-ministro deverá ter maioria absoluta. A professora da Universidade Radboud, Angela Wigger, garante que “o PVdA irá perder deputados por ter ofuscado a identidade social-democrata depois de se ter coligado com os liberais de direita”. A docente espera que os dois partidos não formem uma maioria, já que, os holandeses “estão fartos do rumo liberal da coligação”.

O partido de Geert Wilders continua bem colocado nas sondagens, podendo mesmo vencer o acto eleitoral. No caso de ficar em segundo lugar, a força dos votos será insuficiente para alcançar o poder porque os restantes partidos asseguraram que não farão acordos. Angela Wigger assegura que “o destino do PVV é ficar na oposição”. 

Perante o cenário colocado pela docente holandesa, o próximo governo não terá apoio maioritário no parlamento, sendo que, as negociações entre as forças partidárias também devem “demorar alguns meses”. Os pequenos partidos com assento parlamentar têm a oportunidade de condicionarem a agenda política das forças mais fortes. Angela Wigger entende que seria necessário “o crescimento dos partidos de esquerda para fazer face ao bloco da direita”.

Os temas europeus estão em cima da mesa de qualquer campanha eleitoral em 2017 na Europa. O resultado do referendo britânico em 2016 entra no discurso de todos os candidatos. A pressão para os governos discutirem a permanência na União Europeia com a população tem sido diária em todos os países. Na Holanda existem várias questões que preocupam a população, como “a direcção política da União Europeia, justiça social, desigualdades dentro do espaço europeu, bem como o papel do governo e a autoridade de clubes como o Eurogrupo”. A docente alerta o eleitorado para ter consciência das “assimetrias económicas dentro da União Europeia e em cada Estado-Membro”. 

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