A decisão de Theresa May de convocar eleições antecipadas coloca novos desafios a todos os partidos com assento parlamentar em Westminster. Os líderes políticos não tiveram medo de ir a jogo e aceitaram a data proposta pela primeira-ministra.

O novo acto eleitoral será decisivo para algumas lideranças caso os conservadores reforcem o número de deputados na Câmara dos Comuns. O professor da Universidade de Londres, Simon Griffiths, considera que “se trata de um bom momento para os conservadores aumentarem a maioria parlamentar antes das negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia se tornarem mais complicadas”.

O líder dos trabalhistas, Jeremy Corbyn, tem de ganhar para continuar no cargo e terminar com as várias tentativas de destituição da liderança por parte de alguns sectores do partido. O docente britânico não consegue “imaginar Corbyn na liderança se obter um mau resultado”. O problema do Partido Trabalhista pode não ser apenas a continuidade do actual líder porque existem diferentes sensibilidades politicas. A vitória dos conservadores no dia 8 de Junho significa a terceira derrota eleitoral desde 2010. O futuro do partido também se vai decidir nas próximas eleições. O professor da Universidade de Londres prevê três cenários se os trabalhistas voltarem a perder. No primeiro, os trabalhistas “iniciam uma recuperação lenta com um líder moderado”. Em segundo lugar, o “partido pode dividir-se em duas partes”. Por fim, a importância pode “continuar a ser marginal devido ao domínio dos conservadores nos próximos anos”. 

Os dois principais partidos apoiaram a manutenção do Reino Unido na União Europeia, mas agora defendem soluções diferentes objectivos no acordo final. Os conservadores pretendem conquistar a confiança do eleitorado britânico para “liderarem as negociações com a União Europeia”, enquanto os trabalhistas lutam por melhores condições na saúde, segurança social e na educação.

As actuais posições favoráveis ao Brexit dos conservadores e trabalhistas podem favorecer as forças políticas que se mantiveram ao lado da manutenção do Reino Unido na União Europeia depois do referendo do ano passado. Os Liberais-Democratas serão beneficiados “nalgumas zonas que votaram contra o Brexit”. Por seu lado, o Partido Nacional Escocês mantém o domínio na região. A maior incógnita é o UKIP porque na campanha eleitoral tem de defender o Brexit, mas não pode aplaudir as opções dos conservadores ou dos trabalhistas. Simon Griffiths questiona se o partido liderado por Paul Nuttal “consegue sobreviver no longo prazo”.

A política britânica regista mais um momento de instabilidade. Os acontecimentos dos últimos anos trouxeram novas figuras, mas também a saída de alguns actores importantes devido aos maus resultados eleitorais. Desde as eleições em 2015 que se verificaram várias mudanças nos partidos. O docente britânico explica que “desapareceram os pressupostos tradicionais sobre a forma como funciona a política”.

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