Nos últimos anos as forças populistas também cresceram na América do Sul, embora o fenómeno seja mais antigo que na Europa. As consequências do populismo na América Latina dominaram o debate com a presença do antigo presidente da Bolívia, Jorge Quiroga e o antigo deputado estadual de Goiás, Vilmar Rocha.

Os dois oradores concordaram que a liderança de Nicolás Maduro na Venezuela é o maior exemplo de populismo no continente, sendo que, o representante brasileiro garante que “a escalada populista no país originou uma crise política e desorganização económica”. No entanto, Vilmar Rocha considera que “o discurso nacionalista está a ganhar força em todos os continentes”.  O fenómeno não se alastrou a outros países sul-americanos porque “as instituições democráticas cumpriram o papel de responder com moderação”. 

As várias correntes populistas também se adaptaram aos novos tempos, alterando a mensagem e os destinatários. Normalmente, as classes trabalhadores aceitavam com mais facilidade os novos discursos que apelavam à igualdade, mas as mudanças sociais e económicas permitiram que “o populismo seja dirigido aos pobres, embora sem conteúdo ideológico porque se trata de uma estratégia para chegar ao poder”. Vilmar Rocha acrescenta que “o líder salvador costuma falar directamente das qualidades da população, criando um adversário para manter a coesão”. O parlamentar assegura que “o populismo alimenta-se da desigualdade existente no continente”. 

Os representantes sul-americanos abordaram as migrações e a importância do Mercorsur na estratégia política e económica dos países sul-americanos. Vilmar Rocha e Jorge Quiroga discordam sobre a possibilidade de existir um pacto internacional para a migração, dando como exemplo os problemas na implantação dos Acordos de Paris relativamente às alterações climáticas, tendo também mostrado reticências sobre o papel do Mercosur porque “ninguém se interessa com a integração na América Latina”.

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