O resultado da primeira volta das legislativas francesas confirmou a mudança do espectro político-partidário alcançado durante as eleições presidenciais. O novo partido do Presidente Emmanuel Macron obteve uma excelente vitória, enquanto a expressão eleitoral em Marine Le Pen nas presidenciais não teve a mesma força para a Frente Nacional. Os dois partidos tradicionais tiveram sortes diferentes. Os Republicanos foram a segunda força mais votada. Por seu lado, o Partido Socialista confirmou os maus números de Abril. Apesar das inúmeras incidências, os analistas garantem que o principal vencedor acabou por ser a abstenção.

A nova força criada por Emmanuel Macron tem possibilidade de conquistar 70% do parlamento francês depois da segunda volta que se realiza no domingo. Apesar do domínio eleitoral, o professor de Estudos Modernos Franceses da Universidade de Bristol, Gino Raymond, garante que o Presidente “não tem poder absoluto porque a democracia francesa tem instituições que impedem o controlo total como o Conselho Constitucional”. O docente alerta para a provável falta de maioria do En Marche no Senado.

Os desafios internos do Presidente passam por manter uma boa relação com os Republicanos devido à origem política do primeiro-ministro. As derrotas dos partidos da esquerda e da Frente Nacional asseguram a concretização do programa político, mas continuará a haver “capacidade para influenciar a opinião pública fora do parlamento, nomeadamente por Marine Le Pen e Mélenchon”.

Os dois partidos tradicionais franceses jogavam uma cartada decisiva nestas eleições depois de François Fillon e Benoit Hamot terem sucumbido na primeira volta das presidenciais. Os Republicanos subiram ao segundo lugar nas legislativas, enquanto os socialistas ficaram praticamente sem representação parlamentar. Gino Raymond explica que as diferenças nos comportamentos eleitorais dos dois partidos se “deve à maior divisão no Partido Socialista”, embora o resultado dos Republicanos “seja um mínimo histórico para a direita parlamentar durante a Quinta República”. 

Os socialistas não foram os únicos na esquerda francesa que sofreram na primeira volta. O Partido Comunista Francês também esteve abaixo das expectativas por causa do aparecimento do partido liderado por Mélenchon. Os eleitores socialistas e comunistas decidiram votar nas novas ideias que surgiram no início do ano em França. Os votantes da “classe média desertaram do PS para o partido de Macron e os trabalhadores optaram por votar na França Insubmissa”. 

A segunda derrota da noite pertenceu a Marine Le Pen. A Frente Nacional não conseguiu mobilizar os eleitores, mesmo depois da boa prestação em Abril e do resultado nas regionais. O crescimento verificado a nível presidencial e regional não se verificou no plano nacional. Gino Raymond garante que “Marine Le Pen vai continuar a ter palco político, apostando noutros actos eleitorais como as eleições europeias em 2019”. A elevada abstenção prejudicou as intenções dos nacionalistas franceses de manterem o entusiasmo.

Os níveis altos de abstenção preocuparam todos os intervenientes na primeira volta. Os líderes partidários pediram aos franceses para irem votar no domingo porque a manutenção da percentagem prejudica as ambições políticas dos participantes. No caso de Macron “lança uma luz negativa sobre a legitimidade da vitória”. Por seu lado, a oposição conquista “menos lugares no parlamento”. 

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