A saída do Reino Unido da União Europeia abre inúmeras possibilidades aos restantes países de alcançarem novos objectivos políticos e económicos dentro do projecto europeu. A Espanha espreita oportunidades para se tornar num país com mais poder no seio das instituições europeias porque começa a recuperar em termos financeiros e tem estabilidade política, apesar dos problemas que ocorreram durante o ano passado depois de duas eleições legislativas consecutivas. O investigador do Real Instituto Elcano, Ignacio Molina, considera que “a Espanha é uma opção para ser parceira dos antigos aliados do Reino Unido por causa do crescimento económico, da estabilidade política e da confiança dos espanhóis nas instituições europeias”.

A crise financeira e política permitiram testar a força da democracia espanhola, bem como do sentimento europeu, num país fortemente marcado pelos nacionalismos bascos e catalão. O director do Real Instituto Elcano, Charles Powell garantiu no Estoril Political Forum que estava “impressionado com a resiliência das instituições democráticas e das pessoas”.

Os responsáveis espanhóis estão optimistas relativamente ao futuro do país na União Europeia, mesmo que o eixo franco-alemão continue a dominar a agenda política e económica. O especialista do Real Instituto Elcano, Miguel Otero Iglesias confessa que “a Alemanha continua com demasiado poder, mas a Espanha tem um papel importante na integração, sobretudo após a saída do Reino Unido”. Por seu lado, Luis Simon exige uma participação mais activa “na NATO e nas questões de defesa europeia, além da relação com os Estados Unidos”. 

Durante um ano o país esteve sem governo devido aos resultados das eleições legislativas em Dezembro 2015 e Junho 2016 não oferecerem a maioria absoluta a nenhum partido, sendo que, também não houve qualquer coligação construída no parlamento, como aconteceu em Portugal. A investigadora Carmén González Enríquez, garante que “o ambiente político ficou pior depois da crise económica”. O espectro partidário contou com dois novos partidos que influenciaram a tradição espanhola de se manter fiel aos populares e a socialistas. Carmen González Enríquez explica que “não surgiu nenhum partido xenófobo e anti-europeu porque a sociedade espanhola sempre teve uma atitude positiva face à globalização, União Europeia e imigração”.

 

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