A primeira-ministra britânica adoptou uma nova estratégia depois do programa do governo ter sido debatido e aprovado na Câmara dos Comuns, ao mesmo tempo que se iniciaram as negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia. Theresa May pediu aos restantes partidos para colaborarem em vez de estarem sempre a criticar as medidas do governo. O líder trabalhista respondeu com a necessidade de se realizarem novas eleições legislativas. O professor da Universidade de Liverpool, Michael Cole, entende que a tentativa de cooperação “é um reflexo da debilidade política de Theresa May como primeira-ministra e dentro do Partido Conservador”. O docente acrescenta que “se trata de uma maneira inteligente de abandonar as políticas impopulares que prejudicaram os conservadores nas últimas eleições e responsabilizar os outros partidos”. 

O líder da oposição mudou o discurso político desde a noite eleitoral. No dia das eleições, Jeremy Corbyn pediu a demissão de Theresa May, mas no Discurso da Rainha limitou-se a dizer que o governo não tinha maioria nem mandato político, garantindo que o trabalhistas estavam perto de chegar ao poder. Nos últimos dias, preferiu disputar uma nova eleição geral do que colaborar com os conservadores. Michael Cole garante que “as sondagens oferecem um bom momento eleitoral aos trabalhistas”. 

As negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia também podem acelerar a convocação de eleições antecipadas por duas razões. Em primeiro lugar, os trabalhistas dificilmente aceitam cooperação com os conservadores para “forçarem novo acto eleitoral”. Em segundo, os eleitores trabalhistas que votaram contra o Brexit podem perceber que “o partido não tem mais entusiasmo pela União Europeia que os conservadores”. 

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