paulo sande

O especialista em assuntos europeus, Paulo Almeida Sande, garante que a União Europeia reagiu de forma positiva às recentes ameaças, indicando a eleição de Donald Trump e o Brexit como dois importantes factores de união dos Estados-Membros, embora a saída do Reino Unido traga bastantes dificuldades no combate às assimetrias. Na entrevista ao The Democrat entende que a prioridade da nova reforma prometida pela França e Alemanha tem de passar por maior solidariedade entre os países.

De que forma a União Europeia tem reagido às recentes ameaças?

A União Europeia uniu-se em torno dos seus valores e da própria construção por força das ameaças. A eleição de Donald Trump levou os europeus a afirmarem os seus valores, políticas e objectivos enquanto organização face à nova realidade internacional. Por outro lado, o Brexit é uma ameaça à desagregação do processo porque é a primeira vez que um país abandona a União Europeia.

Qual é o perigo de existirem blocos regionais dentro da União Europeia?

A Europa sempre teve blocos regionais porque existe um conjunto de questões que são comuns. Os países nórdicos funcionam dessa maneira a nível político e ideológico. Os países do Sul também começaram a ter um alinhamento em termos de evolução das políticas internas. A tendência não é nova, mas a nível de reuniões informais está mais forte do que nunca. Neste momento, não representa nenhum perigo para a União Europeia.

Quais serão as prioridades da nova reforma prometida pela França e Alemanha?

A reforma tem de passar por um reequilíbrio das competências da União Europeia face à dos Estados. Existem competências que necessitam de ser da União Europeia porque sem isso as políticas não funcionam. As instituições supranacionais que desenvolvem o conceito de interesse europeu também têm de ser fortes. Na próxima reforma, a França e a Alemanha vão ter que perceber a importância de aceitarem determinadas condições para a Europa funcionar de forma mais solidária.

A Turquia tem condições para ser membro da União Europeia?

A entrada da Turquia na União Europeia é inviável porque a evolução interna é contrária ao reforço da democracia e à liberalização institucional.

O Brexit vai criar mais assimetrias?

A saída do Reino Unido vai causar imensas dificuldades. A reforma que os alemães e franceses querem realizar tem que ser no sentido de combater as assimetrias. A União Europeia só tem sucesso caso a integração se baseie numa maior proximidade entre as economias e nos níveis de bem-estar dos cidadãos.

 

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