Os regimes autoritários continuam a ganhar influência em todo o mundo, colocando em perigo as liberdades conquistadas pelas democracias liberais. O crescimento de países como a China, Rússia e o Irão, é o maior desafio do Ocidente nos próximos anos.

A forma como ultrapassam as maiores potências ocidentais no plano militar, económico e político revela capacidade para se tornarem vencedores em muitas disputas pelo poder. A recente chegada da Rússia às operações militares na Síria reduziu o papel dos Estados Unidos, tornando-o praticamente insignificante, seja com Obama e Trump.

O fim da influência das políticas do Ocidente num longo período depois da Guerra Fria é o principal tema de um ensaio do Vice-Presidente do National Endowment for Democracy, Christopher Walker, intitulado “Uma Nova Era de Competitividade, o aumento da ameaça do autoritarismo como um desafio global para as democracias”. O autor entende que os regimes indicados não defendem apenas os interesses próprios, mas também pretendem degradar os valores democráticos. através da tentativa de intromissão nos meios de comunicação social ocidentais e nos recentes resultados eleitorais.

As novas tecnologias não servem apenas para impedir o surgimento de informação e contestação que não esteja de acordo com os interesses de cada regime. As redes sociais também são utilizadas como instrumento de propaganda, como acontece no recrutamento de jihadistas do Estado Islâmico. Christopher Walker garante que existe uma maior capacidade de manipulação interna e externa, exemplificando “o investimento anual da China em actividades relacionadas com informação internacional”.

Os problemas já estão identificados há muito tempo, mas ainda falta encontrar respostas. Independentemente das soluções que vierem a ser encontradas, tem de existir unanimidade na forma como se responde aos inúmeros desafios colocados pelas novas potências. O especialista norte-americano contribui com quatro soluções. Em primeiro lugar será preciso “afirmar ideias e padrões democráticos como parte de um esforço dedicado para competir efectivamente com a projecção do poder autoritário na esfera das ideias”. Em segundo, “reforçar a democracia e as funções dos direitos humanos em organizações chave como a OSCE e o Conselho da Europa”. Em terceiro, “cultivar contrapesos para enfrentar o impacto regional da Rússia”. Por fim, “transmitir às sociedades democráticas a influência maligna de forças estrangeiras cada vez mais sofisticadas”.

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