No próximo domingo, os venezuelanos são chamados às urnas para votar na eleição dos deputados que vão formar a nova Assembleia Nacional Constituinte. A oposição tenta impedir a realização do acto eleitoral com manifestações contra a decisão do presidente Nicolás Maduro. A comunidade internacional também reagiu com a ameaça de sanções económicas. Os Estados Unidos e a União Europeia prometeram reagir imediatamente caso a vontade do líder venezuelano seja concretizada. O especialista em assuntos internacionais, Luís Santos, considera que “o primeiro impacto das sanções verifica-se na exportação do petróleo porque os Estados Unidos são os principais consumidores, sendo que, a escassez de dólares origina menos bens de consumo nas prateleiras”. 

A ameaça da degradação económica preocupa a população venezuelana, mas neste momento, o país e o mundo estão focados na situação política, já que, o presidente tem possibilidades de reforçar os poderes para eliminar os focos de contestação. O cenário de guerra civil não é colocado por Luís Santos porque “é impossível ir contra o poder militar que está bem armado e continua fiel ao regime”.  No entanto, as prováveis sanções e “o trabalho de bastidores podem mudar uma parte do aparelho”. 

Os Estados Unidos e a União Europeia são os únicos actores internacionais que colocaram pressão junto do regime liderado por Nicolás Maduro. Os governos dos restantes países sul-americanos não se pronunciam sobre o futuro da Venezuela e o impacto que as mudanças podem ter na região, numa altura em que o Brasil também vive uma crise política. Luís Santos entende que “a maioria das lideranças sul-americanas não têm cultura democrática liberal que se sustente por muito tempo”, tendo acrescentado que “a exclusão da Venezuela do Mercosur não é suficiente” para resolver o problema.

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