O conflito na Síria iniciado em 2011 nunca poderá ser resolvido através da violência. Os vários actores que se instalaram no território dificilmente conseguem tomar conta do país pela via armada. Os interesses que estão em jogo também não são suficientes para cada uma das partes obter um pedaço do território e dividir o país. A investigadora do Latvian Institute for International Affairs, Sintija Broka, entende que “a solução passa por encontrar uma fórmula unificadora com a presença das instituições locais, em particular do exército”. Neste momento, o território sírio encontra-se controlado pelas “forças governamentais, pelo Estado Islâmico, pelos curdos e por alguns grupos rebeldes”, sendo que, ainda existem zonas pertencentes a outras entidades.

A luta pelo domínio na região modificou a Síria e outros países, nomeadamente o Yemen. Os países ocidentais como os Estados Unidos e a Rússia tentam exercer influência na zona a vários níveis, particularmente no plano político e económico, mas a rivalidade entre sunitas e xiitas afecta mais os equilíbrios na região, já que, os dois principais países, a Arábia Saudita e o Irão, entraram no jogo de poderes que levou à transformação de alguns regimes. Sintija Broka considera que “o Médio-Oriente será a região do mundo mais complexa a nível político devido às diferentes ideologias, às coligações e também por causa das políticas estrangeiras”.

As duas monarquias pretendem conquistar o apoio dos maiores países do Ocidente, como os Estados Unidos, para evitarem quaisquer ligações ao terrorismo internacional e outros problemas que possam surgir. Nos últimos tempos, Donald Trump criticou a administração iraniana num discurso realizado em Riade. Sintija Broka garante que “a tentativa de hegemonia por parte de Teerão permitiu à Arábia Saudita obter apoios junto dos países do Golfo, como o Qatar e os Emirados Árabes Unidos”.

A entrada da Rússia no conflito na Síria em 2015 pode mudar o cenário de alianças e inimizades no Médio-Oriente para diminuir a força dos Estados Unidos. Os dezassete países têm interesse em cooperar com Moscovo caso haja os mesmos objectivos a nível “económico, securitário e no combate ao terrorismo”. Contudo, Sintija Broka acredita que a recente presença “se deve à vontade de reconhecimento internacional”. 

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