Espanha. Generalitat vai manter a luta pela independência

A realização do referendo sobre a independência da Catalunha pode acabar com o conflito político entre a região e Madrid. A Generalitat e os outros partidos defensores da independência pretendem saber qual é a percentagem que apoia mais autonomia para a região. A docente da Universidade Pompeu Fabra, Carol Galais González, acredita que “a consulta popular termina com a acusação que o governo catalão não representa a maioria social, embora também seja necessário uma reforma constitucional”. A constante recusa de celebrar o referendo gerou “união entre as forças independentistas, os partidos da esquerda e os movimentos sociais”.

A atitude do executivo espanhol liderado por Mariano Rajoy merece críticas por parte da docente espanhola. Os argumentos contra o referendo utilizados pelo governo deveriam ser substituídos pela participação na campanha eleitoral. Carol González critica “a forma antidemocrática como o executivo está a lidar com o assunto”, tendo acrescentado que “o carácter profundamente conservador do PP não possibilita à Catalunha ser uma região mais federal”. 

As constantes reivindicações das autoridades catalãs junto do governo central, sobretudo no plano financeiro, estão por detrás da realização do escrutínio. A Generalitat reclama mais autonomia na gestão do orçamento, criação de infraestruturas para potenciar a economia, independência fiscal reconhecimento do idioma catalão. A língua é o principal factor que distingue o nacionalismo catalão do basco.

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Reino Unido. Liderança de Corbyn estabiliza após a Conferência dos trabalhistas

Na primeira Conferência do Partido Trabalhista após as eleições de Junho, Jeremy Corbyn mostrou confiança no futuro. Os discursos dos apoiantes e do líder revelam vontade de conquistar a liderança do país. Os trabalhistas parecem unidos em torno da actual liderança porque também notam fraquezas em Theresa May. No entanto, o professor da Universidade do Exeter, Richard Toye considera que “aparentemente os trabalhistas estão menos desunidos que os conservadores”.

Nos últimos dois anos a liderança de Corbyn esteve sempre ameaçada, tendo sido sujeita a eleições internas no ano passado, sendo que, as divisões no grupo parlamentar foram as mais complicadas de resolver por causa das posições políticas assumidas. Richard Toye considera que “o poder de Corbyn não sai reforçado depois da Conferência porque existiram alguns embaraços, mas a liderança vai estabilizar”.

Os discursos proferidos pelos elementos mais importantes apontam no sentido do partido estar preparado para assumir funções governativas em qualquer momento, ficando à espera de uma crise política nos conservadores que obrigue à substituição de Theresa May e provoque eleições antecipadas. O docente britânico não acredita “numa boa prestação eleitoral caso o próximo acto se realize antes da data prevista”

Nova Zelândia. Winston Peters decide futuro político de Jacinda Ardern e Bill English no final da próxima semana

O líder do New Zealand First, Winston Peters só vai decidir o apoio parlamentar ao National Party ou ao Labour no final da próxima semana depois de todos os votos ficarem contados. Os cidadãos que vivem no estrangeiro e aqueles que votam fora dos círculos eleitorais são 300 mil., embora não representem mudanças no resultado final.

Os dois principais partidos  possuem as mesmas condições políticas para assegurarem um acordo com Winston Peters, mas será necessário a Bill English e Jacinda Ardern cederem nalgumas exigências do único partido que pode reclamar vitória depois das eleições. O professor da Universidade de Massey, Andy Asquith, entende que o desafio do Labour passa “por manter os Verdes e o New Zealand First do mesmo lado porque Winston Peters disse que nunca estaria com os ambientalistas no exeutivo”. Por outro lado, “a animosidade entre Peters e Bill English poderá ser um entrave ao entendimento”. No entanto, o docente acredita que “a imprevisibilidade do líder do New Zealand First” impossibilita o cenário de novas eleições no curto prazo.

Os problemas pessoais são relevantes nos acordos, mas também existem questões políticas para ultrapassar, como a imigração e a redução das desigualdades sociais. Neste aspecto, Jacinda Ardern tem uma ligeira vantagem, já que, “os trabalhistas e o New Zealand First pretendem limitar a imigração e reduzir os problemas sociais no país”.

O futuro político dos dois candidatos a primeiro-ministro também depende da vontade de Winston Peters. O docente da Universidade de Massey prevê destinos diferentes para Bill English e Jacinda Ardern na liderança dos partidos. A trabalhista “não deverá demitir-se porque precisa de tempo para construir mais do que fez nos últimos três anos”. Por outro lado “a liderança dos conservadores será disputada se English não conseguir um acordo parlamentar”.

Alemanha. Martin Schulz segura liderança do SPD

O resultado das eleições legislativas torna o processo de escolha do parceiro de coligação mais complicado para Angela Merkel. As opções resumem-se a dois partidos, já que, Martin Schulz rejeitou qualquer coligação com a vencedora do acto eleitoral. O professor da Universidade de Sewanee, Reinhard Zachau, entende que “os eleitores do SPD não reconheceram o contributo do partido durante a coligação com a CDU”.

O destino político do antigo presidente do parlamento europeu depende da escolha que tomar nos próximos dias. Martin Schulz ainda pode voltar atrás com a palavra e coligar-se com a CDU ou manter-se no Bundestag como líder da oposição. A primeira opção implica continuar como líder do partido, enquanto a segunda acarreta problemas na liderança. As dificuldades na construção de uma coligação entre três partidos pela chanceler, possibilita “o regresso do SPD ao governo”. No entanto, caso Schulz opte pelo parlamento, Reinhard Zachau acredita que “será um bom líder da oposição”.

União Europeia. Afd não vai desestabilizar o projecto europeu

A chegada do Afd ao parlamento alemão não representa um problema para a estabilidade do projecto europeu, como sucedeu na Holanda com o partido de Geert Wilders e a possível vitória de Marine Le Pen nas presidenciais francesas. O especialista em assuntos europeus, Paulo Almeida Sande, entende que “ainda não se pode dizer que voltou um partido da extrema-direita ao espectro parlamentar alemão e europeu”

O resultado das eleições alemãs, que obriga Angela Merkel a ceder nalgumas propostas internas e europeias, tem consequências imediatas porque a reforma prometida por Alemanha e França corre o risco de ser adiada, sobretudo na zona euro. No entanto, o docente universitário explica que “a consolidação vai continuar a ser feita através de uma via mais moderada”, afastando o cenário em que os movimentos nacionalistas tenham mais força popular no curto prazo.

O reforço do poder da chanceler Merkel também seria motivo para iniciar uma relação com Emmanuel Macron. Os discursos do novo presidente francês sobre a necessidade de mudanças no ideal europeu nem sempre foram aceites pelos principais dirigentes alemães. Paulo Almeida Sande garante que “Macron não sai reforçado porque pretendia que a Alemanha alinhasse no seu programa e agora não consegue fazer nada sozinho”.

 

Nova Zelândia. Futuro de Bill English e Jacinda Ardern depende da vontade do terceiro partido mais votado

O partido New Zealand First tem nas mãos a possibilidade de decidir quem vai liderar o governo nos próximos anos. O resultado das eleições impediu que os conservadores e os trabalhistas conseguissem maioria absoluta, necessitando de se coligarem com um partido para chefiar o executivo.

Os dois principais candidatos, Jacinda Ardern e Bill English, elegeram Winston Peters como a pessoa indicada para conquistarem o poder. O líder do New Zealand First não conseguiu a eleição pelo círculo de Northland, mas vai decidir o futuro político do país nos próximos dias ou meses.

As votações do National Party e do Labour ficaram longe dos 61 lugares necessários para obter maioria absoluta. Bill English 46% e 58 lugares, enquanto a Ardern ficou-se nos 35,8% que garante 45.  Os sete lugares reservados aos Maori no parlamento ganhos pelos trabalhistas permitem alcançar 61.

A contagem de todos os votos ainda vai demorar mais duas semanas, pelo que, neste período também começam as negociações entre as forças partidárias.

Alemanha. Merkel procura coligação com Liberais e Verdes

A denominada “coligação Jamaica” por causa das cores do FDP e dos Verdes deverá ser a solução escolhida por Angela Merkel para formar governo. O resultado das eleições confirmou o cenário de maioria simples na Bundestag, pelo que, a chanceler terá que procurar novas alianças.

A revelação de Martin Schulz de recusar coligar-se com a CDU/CSU traz novas dificuldades à líder alemã no início do quarto mandato. O SPD ocupa o lugar no parlamento como o maior partido da oposição, apesar de outras forças reclamarem um estatuto idêntico.

A grande novidade nas legislativas é o terceiro do AFD. O partido conseguiu quase 8%, muito acima dos liberais e dos verdes.

Brexit. Theresa May ganha mais tempo para negociar com a União Europeia

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A primeira-ministra britânica anunciou a criação de um período de transição durante dois anos após a saída do Reino Unido da União Europeia para as duas partes consolidarem os termos que serão negociados no acordo final. Theresa May revela que a nova relação entre os dois blocos só começa em 2021 se todos os prazos estabelecidos forem cumpridos. Durante o período pós-Brexit, as trocas comerciais mantêm-se, o Reino Unido continua a contribuir para o orçamento europeu e não haverá alterações ao nível da imigração.

O professor do King´s College, Jonathan Portes, assegura que a existência do período de decisão “reflecte a incapacidade do governo britânico e das empresas estarem preparadas para abandonarem a União Europeia, nomeadamente o mercado único”. 

Nas reuniões entre os dois lados houve avanços em algumas matérias como os direitos dos imigrantes, as relações comerciais e a cooperação em matéria de segurança. No entanto, o docente britânico explica que “as questões financeiras são mais complicadas de resolver, embora haja progresso nos pagamentos que o Reino Unido tem de fazer à União Europeia durante a transição”. O papel do Tribunal de Justiça Europeu em território britânico e a melhor solução para a fronteira da Irlanda do Norte são os temas dos próximos encontros.

A tentativa de Theresa May prolongar as negociações com a União Europeia por mais dois anos também pode ter consequências internas, já que, o início da nova relação do Reino Unido com os parceiros europeus começa no último ano do mandato. As divisões no governo e na bancada dos conservadores no parlamento continuam a impedir que a primeira-ministra consiga defender os interesses do Reino Unido junto do clube europeu. Jonathan Portes acredita que “haverá mais união no curto prazo, mas no futuro as divisões vão permanecer por causa das condições definitivas da saída”. Neste momento, “as diferentes correntes de opinião dentro do executivo são mais fortes do que o rumo traçado por Theresa May”, pelo que, será necessário avançar lentamente para um acordo seguro.

Nova Zelândia. Jacinda Ardern tem oportunidade única para conquistar o poder

A popularidade de Jacinda Ardern permite ao Partido Trabalhista Neozelandês conquistar o poder após nove anos de governos liderados pelos conservadores do Partido Nacional. A líder trabalhista conseguiu chamar a atenção dos meios de comunicação social e da população. O professor da Universidade de Massey, Andy Asquith, disse ao The Democrat que “Jacinda Ardern deu voz às gerações perdidas como aconteceu com Bernie Sanders nos Estados Unidos e Jeremy Corbyn no Reino Unido”. 

O grande desafio da oposição passa por evitar nova vitória dos conservadores, mesmo sem maioria absoluta. O partido liderado por Bill English também corre o risco de governar em condições políticas desfavoráveis porque os principais parceiros de coligação vão ter dificuldades no acto eleitoral. Andy Asquith explica que “o NZ Future dificilmente regressa ao parlamento porque virou à esquerda, um dos líderes dos Verdes demitiu-se durante a campanha e os liberais do ACT podem perder o único lugar na assembleia”.

As eleições só decorrem amanhã, mas as regras permitem que algumas pessoas votem mais cedo. O número de eleitores que se deslocaram às urnas, sobretudo nos jovens, é um sinal de mudança. O docente estabelece uma relação directa com o que se passou na primeira vitória de Tony Blair no Reino Unido em 1997.

Reino Unido. Vince Cable mantém Liberais-Democratas contra o Brexit

O novo líder dos Liberais-Democratas, Sir Vince Cable, pretende que o partido regresse ao poder nos próximos anos.

Num discurso realizado na conferência, Vince Cable coloca os impostos e o Brexit no topo da agenda, tendo especial atenção às preocupações dos jovens, como os preços dos arrendamentos e das propinas. O novo líder acredita que o partido é o único que defende os interesses do Reino Unido junto da União Europeia, embora sem mencionar a necessidade da população britânica ser novamente chamada para um referendo.

Nas eleições legislativas de 2010, 2015 e 2017 a votação dos Liberais-Democratas variou bastante também por causa das responsabilidades diferentes em cada mandato. A coligação com os conservadores entre 2010 e 2015 resultou “num elevado preço a pagar pelos Liberais-Democratas devido aos erros dos outros”.